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Artigo mapeia características da comunicação comunitária na zona norte do Rio

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Vista da Igreja da Penha e Complexo do Alemão. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Vista da Igreja da Penha e Complexo do Alemão. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Compreender o que acontece nas favelas e periferias do Rio de Janeiro passa pela observação de quem vive e comunica o cotidiano desses territórios. Com essas ideias em mente, surgiu a ideia de investigar quem são e como atuam os coletivos de comunicação localizados na zona norte carioca. Os resultados parciais da pesquisa são apresentados em capítulo do livro Coletivos, comunicação comunitária e relações raciais: pluralidade de vozes da favela à cidade (Gênio Editorial, 2026).

Artigo integra livro lançado em junho e disponível para download

Intitulado “Cartografia de coletivos de comunicação comunitária para a promoção da saúde e da cidadania” o artigo é de autoria das pesquisadoras da Fiocruz Cristiane d’Avila, Luiza Gomes Henriques e Patrícia Castro Ferreira; do coordenador do Instituto Raízes em Movimento (Complexo do Alemão), David Amen; da pesquisadora da Frente de Mobilização da Maré, Gizele de Oliveira Martins; do coordenador do jornal Fala Manguinhos Fábio Falcão Monteiro e do coordenador de mobilização do Instituto Decodifica (Jacarezinho), Vinicius Morais.

Entre os elementos que chamam atenção na pesquisa estão as diferentes formas de auto identificação dos coletivos. A maior parte deles – 12 organizações entre 27 respondentes – se define como coletivo de comunicação comunitária. Outros seis se apresentam como organizações populares que utilizam a comunicação para divulgar suas atividades. Há ainda iniciativas que se identificam especificamente com o jornalismo comunitário, atuando por meio de sites, rádios e redes sociais.

Para os autores do artigo, muitos deles também comunicadores comunitários, o conhecimento mais detalhado sobre essas organizações pode contribuir para a formação de redes de cooperação e para a ampliação do acesso a mecanismos de financiamento, como leis de incentivo e parcerias com instituições públicas e privadas. “Acreditamos que a pesquisa pode contribuir para a produção de conhecimento sobre os desafios do exercício da comunicação comunitária em bairros vulnerabilizados pela violência, carentes de apoio do Estado e estigmatizados pela mídia comercial e a sociedade”, avalia Cristiane d’Avila, coordenadora do estudo e pesquisadora do Observatório História e Saúde.

Os dados apontam que Manguinhos concentra 25,9% dos coletivos participantes, entre eles a Central Guerra e a Agência de Comunicação Comunitária de Manguinhos. Em seguida aparece a Maré, com 18,5%, representada por iniciativas como o Maré de Notícias e o Coletivo Maré 0800. O Complexo do Alemão reúne 14,8% dos grupos mapeados, incluindo o Voz das Comunidades e o Papo Reto. O levantamento também identificou iniciativas em territórios como Jacarezinho, Penha e Jardim América, além de áreas fora da região central da pesquisa, como Pavão-Pavãozinho e Paciência.

No ambiente digital, o Instagram aparece como a plataforma mais utilizada, presente em 38% das organizações mapeadas. Sites próprios e o X (antigo Twitter) também figuram entre os principais canais empregados pelos grupos para divulgação de conteúdo e interação com o público.

Diferentemente de abordagens que buscam o distanciamento entre pesquisador e objeto de estudo, o trabalho adotou a perspectiva da chamada “Geração Cidadã de Dados”. Nesse modelo, a produção de informações ocorre de forma coletiva e com participação dos atores envolvidos, tendo como objetivo gerar dados voltados ao interesse público. Após apresentar os dados quantitativos do questionário, os pesquisadores agora analisam as respostas qualitativas sobre exemplos e impacto de suas ações, assim como sua visão sobre comunicação comunitária. A proposta é utilizar essas informações para subsidiar ações e debates relacionados aos territórios pesquisados.

“A pesquisa foi oficialmente finalizada em dezembro de 2024, mas continuamos trabalhando em parceria. Agora estamos finalizando uma minuta de política para levar o pleito destes coletivos a acadêmicos, gestores públicos, formuladores de políticas, órgãos de imprensa e comunicadores de favelas. Nosso objetivo é que essa minuta possa subsidiar a formulação e implementação de políticas públicas que reconheçam a comunicação comunitária como dimensão central para a efetivação do direito à saúde e para o fortalecimento da democracia, especialmente nas favelas e periferias”, completa Cristiane d’Avila.

O livro do qual o capítulo faz parte é resultado de uma semana de debates com pesquisadores do Brasil e do exterior no I Colóquio Internacional LECC de Comunicação Comunitária. Coletivos, comunicação comunitária e relações raciais: pluralidade de vozes da favela à cidade (Gênio Editorial, 2026) foi organizado por Zilda Martins e Raika Moisés. A apresentação é de Raquel Paiva, coordenadora do Laboratório de Estudos em Comunicação Comunitária (LECC). A obra celebra os 25 anos do Laboratório sediado na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ).

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